Yin Yang

Sou meio imprevisível e cheio de vielas. Sou timido mas gosto de me exibir. Sou meigo, mas também sei ser grosseiro. Sou carente, mas nunca me apaixono. Sou assim, sou assado... e principalmente sou misterio. Sou dragão que cospe fogo e tigre que corre ao vento. Busca. Buscando algo que não existe quem sabe nem possa existir. Mas se não existe eu crio!!!
E crio luas e planetas, e viajo nessa nova via-lactea que eu mesmo criei... E sou assim: sem nexo, sem sexo, mas ainda explicito o que eu sinto. E como sinto!!!... Ora de um jeito, ora de outro, mas sinto sempre algo. E sentir já é algo meu. Tão meu que não consigo sentir o que é dos outros. E talvez nem sinta o que é meu.
Tão escuro em algumas horas, mas tão claro em outras ( mas quem não é assim? ). E perpetuo o que de mim nem é. Sentir, fazer, gritar. Nada existe se eu não aceito. E eu sou alguem que não crê que algo possa ser dois. Tão homem na mulher, tão mulher no homem... Tão nada que se torna tudo, numa genesis da criação. Criar!!!... É o que me toma e me torna. Torna ser humano... E eu crio, agora mais livremente e sem mascaras. Sejam elas brancas ou pretas, ou ainda que sejam um no outro.
Posso gritar, mas não quero, posso chorar, mas me doe, posso tentar, mas fracasso... Sou yin yang meio cheio de outras tantas cores. Cores que me fazem não ter só dois sentidos, mas vários sentidos. Sentidos: cinco: tato, olfato, audição, paladar e visão. Tantos pra tão poucas sensações. Mergulhar no que sinto e esquecer os yin ou os yang. Ser somente eu, homem ou mulher ( ou os dois ), crítico ou não, fracassado ou vitorioso, livre ou preso, enfim... ser ser humano...talvez de uma só cor...talvez de sete... mas colorir. Enfim, aceitar a condição de ser dois...

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